Pistas clandestinas na Amazônia são úteis à população

13/12/2011 20:04

Pistas clandestinas também são úteis à população, ressaltam deputados

Leonardo Prado
Dep. Raul Lima (PP-RR)
O deputado Raul Lima defendeu criação de norma sobre as pistas de pouso na Amazônia.

Na discussão sobre pistas clandestinas na Amazônia, é necessário separar aquelas utilizadas para atividades ilícitas das que servem para atender a população, ressaltaram nesta terça-feira participantes de audiência pública na Câmara.

O deputado Miriquinho Batista (PT-PA), afirmou, por exemplo, que na ilha de Marajó, no Pará, existem 16 municípios, todos com pistas de pouso, mas apenas três delas são legalizadas. “As ilegais são usadas pelo governador, por deputados e por juízes, como se fossem legais”, disse.

De acordo com a assessora da Fundação Nacional do Índio (Funai) Francisca Picanço, a maioria dos povos indígenas, principalmente em áreas de fronteiras, utiliza aviões para deslocamento. “O Estado deve assumir a responsabilidade de regulamentar as pistas para garantir os direitos fundamentais dessas populações”, afirma.

A assessora da Funai relatou que somente na reserva Caiapó, em São Felix do Xingu (PA), vivem 8 mil indígenas. A aldeia, disse, conta com 25 pistas irregulares e apenas uma legalizada. “Em terras indígenas, essas pistas são a única possibilidade de levar de serviços como educação e saúde a esses povos”, acrescentou.

Serviços públicos
Autor do requerimento para realizar a reunião, o deputado Raul Lima (PSD-RR) disse que em Roraima ocorreu uma crise grave recentemente, porque a lei foi aplicada “de forma muito drástica de uma hora para outra”, e 29 aldeias indígenas ficaram isoladas. “Precisamos urgentemente separar o que legal do que é ilegal”, defendeu.

Também para a deputada Janete Capiberibe (PSB-AP), que assinou o pedido de realização da audiência, as pistas devem ser regularizadas e recuperadas, porque representam a única forma de levar serviços públicos a toda a população, não somente para indígenas. “Na Amazônia, a maior parte das situações não está nas estatísticas do estado brasileiro, caracterizado por uma imensa ausência, precisamos debater essa situação”, sustentou.

De acordo com o diretor geral substituto do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), Fernando Campagnoli, o órgão ainda não sabe ao certo quantas pistas clandestinas existem na Amazônia. Segundo ele, o mapeamento da região ocorre desde 2005 – o objetivo é concluir a identificação das pistas em uso até janeiro do próximo ano.

Estimativas e desafio
O último levantamento do Cenispam, citado por Raul Lima, mostra que em 2008 poderia haver quase 600 pistas ilegais somente em Amazonas e Roraima. Na estimativa do delegado da Coordenação Geral de Polícia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal, Alexandre Silveira, atualmente podem ser mais de 2 mil pistas.

Na opinião do delegado, conhecer as atividades realizadas nessas pistas representa o grande desafio. “Para avaliar quais são utilizadas para fins ilícitos é preciso acompanhar todas as atividades, o que é muito difícil porque a região é muito extensa e a quantidade de pistas não regulamentadas é muito grande”, destacou.

Segundo Silveira, de 2007 a 2011, 12 aeronaves foram apreendidas e 15 interceptadas na região. Além disso, cinco toneladas de cocaína e derivados e uma tonelada de equipamentos de informática e eletrônicos, além de armas e munições, foram apreendidos.

Cadastro aeroportuário
O gerente de engenharia de infraestrutura aeroportuária da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Tarik Pereira de Souza, explicou que são clandestinas todas as pistas de pouso que não constam no cadastro aeroportuário, mantido pela instituição. Segundo o gerente da Anac, atualmente o País conta com 720 aeródromos públicos e 2.670 privados em situação regular.

A audiência para discutir a situação das pistas clandestinas na Amazônia foi realizada pela Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional.

Reportagem – Maria Neves
Edição – Ralph Machado - Foto: Leonardo Prado

Agência Câmara de Notícias

 

Notícias

Quando o anticoncepcional falha

Quando o anticoncepcional falha (25.02.11) O TJ de Santa Catarina decidiu que uma indústria Germed Farmacêutica Ltda. deve continuar pagando pensão de um salário mínimo mensal - mesmo enquanto apelação não é julgada - a uma mulher da cidade de Navegantes que teria engravidado apesar de utilizar...

Credores não habilitados

Extraído de AnoregBR Concordatária tem direito ao levantamento de valores que estão depositados à disposição de credores não habilitados Sex, 25 de Fevereiro de 2011 13:53 A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que a empresa Ferragens Amadeo Scalabrin Ltda. tem direito ao...

Direito de Família

  Leis esparsas e jurisprudência geram novas tendências Por Caetano Lagrasta   O Direito de Família é atividade jurídica em constante evolução, ligada aos Costumes e que merece tratamento diferenciado por parte de seus lidadores. Baseado no Sentimento, no Afeto e no Amor, merece soluções...

É válida escuta autorizada para uma operação e utilizada também em outra

24/02/2011 - 10h16 DECISÃO É válida escuta autorizada para uma operação e utilizada também em outra Interceptações telefônicas autorizadas em diferentes operações da Polícia Federal não podem ser consideradas ilegais. Essa foi a decisão da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao...

Estatuto da família

  Deveres do casamento são convertidos em recomendações Por Regina Beatriz Tavares da Silva   Foi aprovado em 15 de dezembro de 2010, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados, um projeto de lei intitulado Estatuto das Famílias (PL 674/2007 e...

Casal gay ganha guarda provisória de criança

Extraído de JusBrasil Casal gay ganha guarda de menino no RGS Extraído de: Associação do Ministério Público de Minas Gerais - 1 hora atrás Uma ação do Ministério Público de Pelotas, que propõe a adoção de um menino de quatro anos por um casal gay, foi acolhida ontem pela juíza substituta da Vara...